População ativa cai para cerca de metade dos atuais 6,7 milhões até 2080

A população residente em Portugal em idade ativa, entre 15 e 64 anos, está atualmente abaixo dos 6,7 milhões de pessoas e diminuirá para 3,8 milhões até 2080, segundo o INE.

A população residente em Portugal em idade ativa, entre 15 e 64 anos, está atualmente abaixo dos 6,7 milhões de pessoas e diminuirá para 3,8 milhões até 2080, segundo uma projeção do Instituto Nacional de Estatística.

O INE definiu quatro cenários de projeção da população: cenário baixo, cenário central, cenário alto e cenário sem migrações, com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes de evolução demográfica.

Segundo o INE, a diminuição para 3,8 milhões em 2080 enquadra-se no cenário central.

Ainda neste cenário, a população em idade ativa situa-se nos 6,6 milhões de pessoas este ano, caindo para os 5,9 milhões em 2032, para menos de 5 milhões em 2047, devendo estabelecer-se no limiar de 4 milhões em 2074.

Em 2080, a população em idade ativa poderá situar-se entre cinco milhões, de acordo com o cenário alto, e 2,8 milhões, segundo o cenário baixo.

Ainda de acordo com as projeções, a diminuição da população em idade ativa é transversal a todas as regiões e cenários, com exceção do Algarve no cenário alto.

Os dados apontam assim para um acentuar do envelhecimento demográfico.

Em Portugal, face aos resultados obtidos no cenário central, o índice de envelhecimento poderá mais do que duplicar entre 2015 e 2080, passando de 147 para 317 idosos por cada 100 jovens.

O processo de envelhecimento da população tenderá a apresentar alguma estabilização quando começarem a entrar na faixa etária de 65 e mais anos as gerações nascidas já num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações.

No cenário central, esta estabilização dar-se-á próximo de 2060.

No cenário alto poderá ocorrer a meio da década de 50, e, no cenário sem migrações a meio da década de 70.

O índice de envelhecimento da população poderá ser de 459 idosos por cada 100 jovens no cenário baixo ou aumentar, menos acentuadamente, para 261 idosos por cada 100 jovens no cenário alto.

Segundo o INE, a conjugação de saldos migratórios positivos e de níveis de fecundidade mais elevados, ainda que associados a uma esperança média de vida mais elevada, tal como preconizado no cenário alto, não sendo suficientes para travar o ritmo de envelhecimento demográfico, contribuem porém para a sua atenuação.

Relativamente às zonas do país, a projeção revela que o envelhecimento demográfico pode ocorrer em todas as regiões, podendo ser mais acentuado nas regiões autónomas, atualmente as menos envelhecidas.

No cenário central, o índice de envelhecimento na Região Autónoma dos Açores situava-se, em 2015, em 82 idosos por cada 100 jovens aumentando para 272 idosos por cada 100 jovens em 2080 (mais do que triplicando).

Na Região Autónoma da Madeira o índice de envelhecimento situava-se, em 2015, em 105 idosos por cada 100 jovens aumentando para 307 idosos por cada 100 jovens em 2080 (quase triplicando).

No entanto, a região mais envelhecida, neste cenário, em 2080, será o Norte (em 2015 era o Alentejo), e a região menos envelhecida será o Algarve (em 2015 era a Região Autónoma dos Açores).

Já no que respeita ao índice de sustentabilidade potencial (o quociente entre o número de pessoas com idades compreendidas entre 15 e 64 anos e o número de pessoas com 65 e mais anos), a projeção do INE revela que face ao decréscimo da população em idade ativa a par do aumento da população idosa, poderá diminuir de forma acentuada até à década de 50, estabilizando a partir de então.

Em Portugal, no cenário central, este índice situar-se-á em menos de metade do valor atual, passando de 315 para 137 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos, em 2080.

Relativamente a este índice, os valores nos vários cenários mantêm-se muito próximos, podendo variar, em 2080, entre 113 e 150 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos.

As projeções da população residente entre 2015-2080 têm como base a estimativa provisória de população residente a 31 de dezembro de 2015.

Fonte: http://observador.pt/
Data: 29/03/2017