Internacionalização como ponto de partida para novas oportunidades

O primeiro desafio será fazer as alterações necessárias à fórmula de gestão que nos trouxe ao início de todo o processo. A internacionalização requer outras competências por parte das empresas, como a adaptação a uma cultura diferente, a uma concorrência mais agressiva e, em muitos dos casos, à implementação de uma série de certificações locais. No fundo, estes processos obrigam a lidar com situações novas e abrem os horizontes dos gestores, ao mesmo tempo que colocam novos desafios. A verdade é que as empresas portuguesas que conseguirem suplantar estas duas fases vão estar mais fortes e mais bem preparadas para enfrentar desafios futuros, de forma a tornarem-se grandes empresas a nível global.

As motivações estratégicas que moldam a escolha da forma de entrada em mercados internacionais passam pela dimensão da empresa, pelo grau de inovação do produto e também pelo mercado em si. Este último fator é, aliás, muito importante, uma vez que a componente cultural é decisiva para que, desde o início, se consiga uma boa reputação. O foco é também uma peça chave no processo, pelo que a empresa não se pode deixar arrastar para atividades que retirem o foco no processo de internacionalização, sob pena de perder eficiência e eficácia, aumentando assim a probabilidade de falhar a entrada no novo mercado.
A internacionalização deve, por isso, ser encarada como uma etapa normal para as empresas.

Hoje em dia, a tecnologia permite-nos encurtar distância de forma muito relevante face à realidade de há 20 anos atrás. É o mercado que dita onde devemos estar e onde podemos ter sucesso. O facto de muitas vezes as empresas terem dificuldades no mercado doméstico não significa que a sua tecnologia, produto ou serviço não seja valorizada nos mercados externos.

Neste contexto, os mercados estratégicos para as empresas são sempre os mercados nos quais exista uma grande necessidade do produto ou serviço comercializado. Tendencialmente, as empresas portuguesas optam por iniciar a internacionalização pelos PALOP, tirando partido da língua e dos laços históricos, mas o importante é que o mercado sinta a necessidade do nosso produto e que tenha dimensão. Em alguns casos, a geografia também pode contribuir para uma boa imagem da empresa. Um exemplo disso é o relevo que se concede a entradas no mercado norte-americano ou no mercado alemão. São mercados que, pelo seu prestígio, ajudam à reputação das empresas.

Outra das componentes importantes na abordagem ao mercado é a escolha de um parceiro local que, para além de encurtar o período de colocação dos produtos no mercado, permite tirar partido da sua experiência, conhecimento de mercado, cultura e contactos.

No entanto, a ideia de que o país onde se fecha um negócio é o ponto de chegada não corresponde à realidade. Para os empreendedores, esse será sempre o ponto de partida para novas oportunidades.

Pedro Mourato Gordo, CEO da Zarph

Fonte: http://www.oje.pt/
Data: 29/01/2016