Economia portuguesa ainda não regressou aos níveis de 2010

Embora tenha abrandado no final do ano, a economia portuguesa voltou a crescer pelo segundo ano consecutivo. No entanto, ainda não compensou a forte quebra de actividade económica observada entre 2011 e 2013.

A economia portuguesa cresceu 1,5% na média do ano passado. Uma aceleração face aos 0,9% do ano anterior, ficando em linha com as previsões mais recentes do Governo e da Comissão Europeia. Porém, esse crescimento ainda não é suficiente para colocar o produto interno bruto (PIB) português ao nível observado em 2010.

O PIB nominal deve ter ficado entre 178,5 e 179 mil milhões de euros em 2015. Um valor que fica aquém do registado em 2010 (a rondar os 180 mil milhões de euros).  A diferença não é grande e deverá ser compensada já este ano. No entanto, ilustra bem a dimensão da contracção da actividade entre 2011 e 2013, três anos de recessão.

O crescimento de 1,5% em 2015 fica em linha com a previsão do Governo de António Costa, inscrita no Orçamento. Era também essa variação que Passos Coelho esperava no OE 2015, embora a tenha revisto para 1,6% no Programa de Estabilidade, fruto de um arranque de ano mais forte.

Mais riscos para 2016?

Segundo o INE, nos últimos três meses de 2015, a economia portuguesa cresceu 1,2% face ao mesmo período de 2014, prolongando a desaceleração do terceiro trimestre (1,4%). Um resultado justificado com um avanço mais lento do investimento. Já a procura externa, deu um contributo menos negativo para o crescimento (as importações tiveram um desempenho pior do que as exportações).

O Núcleo de Estudos de Conjuntura de Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica realça que o PIB "evoluiu acima da sua dinâmica recente, tendo regressado ao crescimento positivo em cadeia após a estagnação do trimestre anterior". Mas avisa que "a informação mais preocupante é a desaceleração do investimento que terá voltado a contrair em cadeia". O NECEP atribui este comportamento a uma conjuntura incerta, o "interregno político" depois das eleições e à incerteza em torno da política orçamental.

Este final de ano mais desapontante pode ter impacto em 2016. O Montepio, por exemplo, decidiu rever em baixa a sua previsão de crescimento de 2% para 1,7%, o que reflecte "o efeito de ‘carry-over’ negativo resultante do facto de os dados do PIB aquém do esperado no final de 2015, mas também um enquadramento internacional menos favorável e uma maior pressão dos mercados financeiros sobre a dívida portuguesa", refere José Miguel Moreira. Isso coloca a estimativa entre aquilo que o Governo espera (1,8%) e a previsão de Bruxelas (1,6%).

O Montepio avisa que mesmo essas perspectivas pode ser revistas. O baixo preço do petróleo, euro mais fraco, novas medidas do BCE e Espanha a crescer podem ajudar a Portugal. Por outro lado, os riscos negativos para a economia são: "instabilidade política", desemprego alto, sistema financeiro frágil, mais austeridade, pressão sobre os juros da dívida e abrandamento de China, Angola e Brasil.

Fonte: www.jornaldenegocios.pt
Data: 15/02/2016