Banco de Portugal está mais optimista e prevê um crescimento de 1,7% este ano (act.)

O banco central reviu em alta a previsão de crescimento para este ano e diz que a transformação estrutural da economia está em curso.

O Banco de Portugal reviu em alta a previsão de crescimento para este ano de 1,5% para 1,7% do PIB, acima dos 1,6% do PIB previstos pelo FMI e pelo Conselho de Finanças Públicas há uma semana. Para 2016, o banco central aponta para 1,9%, justificado com uma recuperação da procura externa e das exportações.

"As projecções para a economia portuguesa em 2015-2017 apontam para uma recuperação gradual da actividade ao longo do horizonte de projecção. Após um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 0,9% em 2014, projectam-se crescimentos de 1,7% em 2015, 1,9% em 2016 e 2,0% em 2017", avançou o banco central, numa nota enviada à imprensa.

O banco central explica ainda que "a aceleração da actividade económica ao longo do horizonte de projecção reflecte, em larga medida, o crescimento projectado para as exportações, em linha com as hipóteses para a procura externa dirigida à economia portuguesa".

Nas contas dos economistas da Almirantes Reis, as exportações nacionais crescerão 4,3% este ano e 5,8% em 2016, valores que representam revisões em alta face aos 4,2% e 5% projectados em Dezembro. As importações também foram revistas em alta – para aumentos entre 5,5% e 6,1% – mas a dinâmica das exportações garantirá excedentes financeiros face ao exterior ainda superiores aos previstos há três meses, que se traduzirão na "manutenção de um saldo da balança corrente e de capital em níveis historicamente elevados", lê-se na mesma nota (na casa dos 3,3% a 3,5% do PIB).  

Estes desenvolvimentos são, na interpretação do Banco de Portugal, um resultado de uma "transferência de recursos produtivos dos sectores não transacionáveis para os setores transacionáveis", a qual considera ser "uma das características mais salientes do processo de recuperação recente da economia portuguesa", contribuindo para um processo de "recomposição do crescimento do PIB", no qual as exportações ganham importância face à procura interna (líquidas das importações).

O optimismo para a procura externa e exportações é, em boa parte, justificado pela confiança do BCE e do Banco de Portugal na eficácia do programa de compra de dívida do BCE a estimular a economia europeia e a pressionar em baixa o valor do euro, o que ajuda as empresas exportadoras. O Banco de Portugal também espera uma melhoria das condições de financiamento, com impactos positivos no crescimento.

"A procura interna apresenta um crescimento moderado ao longo do horizonte de projecção, refletindo um crescimento sustentado do consumo privado, consistente com a evolução do rendimento disponível real, e uma aceleração da formação bruta de capital fixo, nomeadamente da componente empresarial", lê-se na numa enviada à imprensa, na qual o banco central salienta que "a evolução da procura interna mantém-se condicionada pela necessidade de continuar o processo de consolidação orçamental e pelos elevados níveis de endividamento do sector privado".

Ainda assim, em 2015, é exactamente da procura interna que chega o maior contributo para o crescimento da economia (cerca de um ponto dos 1,7% de crescimento esperado), alicerçado no aumento do rendimento disponível que resulta da devolução de 20% dos salários dos funcionários públicos e da eliminação da contribuição especial de solidariedade sobre os pensionistas. O banco central espera que o consumo privado aumente 2,4% este ano, uma revisão em alta face aos 2,1% previstos em Dezembro.

Nas suas previsões, a autoridade monetária, espera que o dinamismo da economia se traduza numa "aceleração moderada do emprego" e uma "diminuição progressiva da taxa de desemprego", que serão acompanhadas por uma estabilização da inflação em torno de 1% a partir de 2016 (este ano será de 0,2%).


(Notícia actualizada às 16:25 com explicação da importância das medidas de estímulo do BCE no investimento e exportações; e da devolução de salários e pensões na evolução do consumo privado)

Fonte: Jornal Negócios Online
Data: 25/03/2015