Ombria Resort sai do papel, 20 anos depois

Resort dos finlandeses da Pontos vai custar €100 milhões na primeira fase e terá um hotel, uma centena de casas e um campo de golfe. A primeira pedra foi lançada esta semana.

Levou cerca de duas décadas a sair do papel mas depois de vicissitudes várias eis que foi finalmente lançada a primeira pedra daquele que será um dos maiores projetos do Algarve. Ontem, a cerimónia simbólica realizada no local onde vai nascer o Ombria Resort, reuniu os representantes do investidor finlandês — o grupo Pontos e o presidente da Câmara de Loulé, concelho onde será edificado o projeto, entre outras personalidades.

Localizado entre as freguesias de Tôr e Querença, a 17 km de Loulé, o resort vai abranger 153 hectares de terreno, no meio de uma paisagem natural de colinas verdes.

O projeto, que na sua totalidade implica um investimento de €260 milhões, vai avançar já com €100 milhões para a primeira fase que irá contemplar um aldeamento turístico composto de um hotel de 5 estrelas — a primeira unidade da marca Viceroy Hotels & Resorts em Portugal e na Europa —, cerca de 80 casas, campo de golfe com 18 buracos e clube de golfe. As casas, onde se incluem 65 residências turísticas com áreas desde os 70 m2 e 12 villas que podem chegar aos 500 m2, apresentam valores entre os €300 mil até aos €2,5 milhões.

Julio Delgado, CEO do Ombria Resort, adiantou ao Expresso que o objetivo é avançar com a comercialização já no primeiro trimestre do próximo ano até porque esta primeira fase do projeto deverá estar terminada em finais de 2019.

“O projeto tem três fases, a última das quais prevemos que esteja concluída em 2028 e nessa altura teremos um total de 385 unidades residenciais, incluindo apartamentos, moradias em banda e vivendas. Mas não queremos ter um stock muito grande de unidades por isso o projeto vai avançando de forma faseada”.

Além do mercado nacional, o projeto vai ser amplamente promovido junto dos estrangeiros que são ou se estão a tornar clientes tradicionais do Algarve, mas não só. “Os ingleses, claro, os franceses e os alemães, clientes já conhecedores da região algarvia mas dada a natureza do projeto e a origem do promotor, também os escandinavos, no geral e os finlandeses, em particular, e ainda os cidadãos da Europa Central”, especificou ainda Julio Delgado.

Para reforçar o posicionamento do resort, o promotor escolheu para assegurar a gestão da unidade de cinco estrelas a marca americana Viceroy Hotels & Resorts, que faz a sua estreia não só em Portugal mas também na Europa.

O complexo hoteleiro, que também está previsto ficar concluído na primeira fase, vai ter 76 quartos e inclui ainda um centro de conferências, cinco restaurantes, spa, kids club, um observatório astronómico, piscinas aquecidas e várias outras instalações de lazer e fitness.
Este ‘Viceroy at Ombria Resort’ irá juntar-se a uma carteira de 12 hotéis de luxo que a marca já tem na América do Norte, América Latina, Caraíbas e Médio Oriente. Depois deste hotel, o plano de expansão prevê abrir 12 novas unidades nos próximos anos, alguns dos quais na Europa.

PROJETO ARRASTOU-SE POR 20 ANOS
Incontornável, a questão dos trâmites legais e das disposições ambientais que arrastaram o projeto até aos dias hoje, foi também abordada na apresentação do projeto.

“Ficámos muito dececionados com a lentidão da burocracia que enfrentámos durante o desenvolvimento do projeto. A cooperação com a Câmara Municipal de Loulé e as autoridades competentes tem sido excelente, mas a forma como a burocracia tem provocado o atraso deste processo é inacreditável. Esta morosidade prejudica gravemente o progresso no país”, fez questão de realçar Ilpo Kokkila, presidente do conselho da administração do Pontos Group, fundo finlandês de private equity que promove o projeto.

“Mas nós temos uma grande admiração por Portugal e pelos portugueses; isso e o forte apoio da Câmara Municipal de Loulé são as razões por que conseguimos lutar por este projeto durante quase 20 anos. A beleza natural das paisagens faz com que o nosso principal objetivo seja assegurar que este projeto é altamente sustentável. Um dos nossos compromissos é também que o Ombria Resort seja totalmente aberto às populações locais”, referiu ainda Ilpo Kokkila.

O grupo Pontos apresenta-se como um investidor de médio e longo prazo, com um portefólio de ativos já edificados avaliados em €300 milhões, entre centros comerciais, hotéis e residencial não só na Finlândia, mas em países com a Estónia ou a Lituânia.

Fonte: http://expresso.sapo.pt/
Data: 27/08/2017