Empresas familiares são “o motor da economia”

Presidente da Associação das Empresas Familiares participa em conferência-almoço sobre empresas familiares.

Dar emprego ao filho, partilhar a gestão da empresa com o irmão. Ter o pai por patrão ou o primo por colega. É a realidade de muitas empresas familiares e nem sempre é fácil equilibrar as relações de sangue com o trabalho. É sobre estas dificuldades que o presidente da Associação das Empresas Familiares (AEF), Peter Villax, vai falar esta terça-feira, na conferência-almoço organizada pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE).

“Isso é o que me preocupa mais”, diz Peter Villax à Renascença. “A empresa familiar tem um desafio importante para crescer que é o da profissionalização. Ou seja: nós somos membros de uma família, mas ao mesmo tempo temos que ser dignos da responsabilidade do cargo que desempenhamos.”

Peter Villax considera que as empresas familiares são “o motor da economia”, uma importância espelhada nos números: “O panorama em Portugal da distribuição das empresas familiares no PIB é igual ao espanhol, ao francês, ao suíço, ao inglês e até ao americano. As empresas familiares são a maioria das empresas, representam entre 60 a 70% do PIB.”

O presidente da AEF, que é também presidente executivo da farmacêutica Hovione, dá alguns exemplos: “As maiores empresas, sobretudo na Europa, têm uma raiz e presença familiar. É o caso da BMW, da Boehringer Ingelheim, da Peugeot… Continuam a ser empresas familiares”.

Voltamos ao início da conversa. Há conselhos a reter para quem agora vai começar um negócio familiar? “Na primeira fase da vida de uma empresa familiar, tem é que se preocupar em sobreviver: pagar ordenados no fim do mês, pagar as contas, pagar as facturas, arranjar clientes, fazer produto, vender produto”, diz Peter Villax.

Mais tarde é que serão mais relevantes as questões familiares. “Um dia, atingindo uma certa maturidade e uma certa estabilidade, vai ter então de se preocupar com a família, com os aspectos geracionais, com os filhos, com a educação dos filhos, com a existência de sobrinhos, no caso de terem irmãos que sejam donos da empresa”, descreve.

Nessa altura, há que pôr os termos da convivência familiar/laboral no papel, aconselha o presidente da Associação das Empresas Familiares.

“A família, tal como a empresa, deve organizar-se de uma maneira formal. Se a empresa tem o seu pacto social, a família tem que ter o seu protocolo familiar, um documento que determina quais são as suas funções, os seus direitos, obrigações e para que é que serve. E tal como a empresa tem o conselho de administração, a sua comissão executiva, o seu conselho fiscal, também a família tem de ter os seus órgãos de governo – o conselho de família, a assembleia familiar”, defende Peter Villax.

Fonte: Rádio Renascença Online
Data: 18/01/2016