Plataforma de venda de faturas chega a Portugal para ajudar PME e startups na tesouraria

Banco BNI Europa faz parceria com a fintech belga Edebex para trazer a plataforma online para Portugal. Em três anos, utilizaram a Edebex mais de 600 empresas para obter liquidez imediata com a venda de faturas, num valor que já superou €130 milhões.

Atualmente, 25% das falências de pequenas e médias empresas (PME) são relativas a problemas de tesouraria e cerca de 40% das PME têm dificuldade em obter créditos por parte da banca. “Além disso, no mercado há muitos liquidadores disponíveis para investir.” Os números foram apresentados esta terça-feira de tarde pelo cofundador e presidente executivo da Edebex, Xavier Corman, durante o anúncio da entrada da solução belga no mercado português.

Com presença na Bélgica, Luxemburgo e França, a Edebex é uma plataforma online de compra e venda de faturas que ajuda as empresas a obter liquidez imediata – num prazo médio de 72h e com um desconto médio de 1,5% –, através da venda das suas faturas pendentes de pagamento. “É uma venda sem recurso, com um impacto importante na contabilidade das empresas, uma vez que estas ficam livres do risco, que sai do seu balanço”, indica o cofundador da fintech belga, exemplificando: uma empresa que venda uma fatura pendente por €10 mil poderá ter de pagar uma taxa de serviço de €275, bem como a percentagem de desconto ao comprador.

Sem implicar garantias, cauções, processos de crédito ou contratos que vinculem as empresas no período de duração, o processo de financiamento constitui uma alternativa ao crédito financeiro e ao factoring tradicional. “É diferente do factoring”, explica, em português, Xavier Corman. “Não analisamos a saúde financeira da empresa que necessita de dinheiro, apenas do devedor”, concretiza, acrescentando que a análise de risco é realizada através de um algoritmo gerido em parceria com a seguradora COSEC. “Além disso, oferecemos maior flexibilidade, rapidez nas transações (tudo é feito online) e transparência nos custos (comunicamos os preços antes da confirmação de venda).”

Para quem compra as faturas, esta solução traz a vantagem de conseguirem “aceder a um investimento de muito baixo risco, que oferece um retorno muito mais alto do que qualquer outra alternativa disponível no mercado”, acrescenta, referindo que a taxa de default é menos de 1,5%. Com “uma dezena de investidores” registados na plataforma a nível mundial, em Portugal haverá – para já – apenas um. “O BNI compra a fatura e investe, porque o mercado é muito pequeno. Mas se crescer, isso poderá mudar”, explica o presidente executivo do banco, Pedro Pinto Coelho.

O valor mínimo para submeter uma fatura na plataforma são €5 mil, não existindo teto máximo. Apenas são aceites faturas B2B (business to business ou, em português, negócio a negócio), o que significa que não é possível uma empresa vender uma fatura de um devedor particular nem de devedores públicos. A possibilidade de, no futuro, passarem a admitir devedores públicos não está totalmente excluída, ainda que Corman sublinhe que essa decisão depende da seguradora de crédito.

EDEBEX QUER POSSIBILITAR FINANCIAMENTO DE €150 MILHÕES ANUAIS

A decisão de expandir para Portugal esteve relacionada com vários fatores. “O mercado português é uma boa oportunidade, porque temos um parceiro local, e porque ainda não há concorrência.”

Além disso, o “sucesso em França e na Bélgica” – bem como o facto do índice de risco de pagamentos em Portugal ser um dos mais elevados da Europa (-1,08) e dos atrasos nos pagamentos das faturas serem dos mais dilatados (+ 95 dias), segundo dados da Intrum Justitia: European Payment Report 2017 – levou à aposta em Portugal.

Com cerca de 30 colaboradores que operam a partir da Bélgica para todos os mercados, três dos quais portugueses, a Edebex tem como principais clientes pequenas empresas (com cerca de 10 empregados), que têm grandes clientes e um nível de faturação anual não superior a €5 milhões. Além das pequenas e médias empresas, há startups que recorrem igualmente a esta solução.

Desde 2014, um ano depois de nascer, a Edebex já garantiu liquidez a mais de 600 empresas através da venda online de faturas, no valor de mais de €130 milhões. Em Portugal, a fintech tem como objetivo ajudar a financiar entre €5 e €10 milhões no primeiro ano – e, a partir do segundo, estima cerca de €150 milhões anuais.

Fonte: http://expresso.sapo.pt/
Data: 14/11/2017